Da série: Amizades traumáticas do passado.
Sabe o que me apavora? O fato da memória ser falha. A ideia de que coisas que estão registradas só na minha mente podem não ser reais. E se eu lembrar dele de uma forma diferente do que ele realmente era? E se a nossa amizade for muito menos do que eu afetivamente registrei?
Ero-baka. Fazendo piada, era assim que eu o chamava. Durante algum tempo fomos muito próximos. Mas o que ficou disso além de lembranças? Nada de concreto. Nenhuma foto juntos, nenhuma carta, ele não aparece na gravação do meu aniversário.
A única marca real que deixou para mim foi um “Lua” muito mal traçado grafado de caneta preta na minha bolsa. Bolsa resistente, de lona, que durou todos esses 5 anos, que tenho e uso até hoje.
Tenho esse momento muito bem guardado na memória. Eu estava sentada com a bolsa no colo, nessa mania que preservo até esses dias. Ele, sentado ao meu lado, malandramente sacou uma caneta do bolso e pôs-se a rabiscar minha bolsa. Ia escrever Luana, mas eu percebi o que se passava a tempo de impedi-lo, de forma que ficou só “Lua”.
Bastante poético, né? Mas eu preferia uma foto.